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sábado, 15 de novembro de 2014

O PASSADO E O ONTEM




Este artigo foi escrito antes da reeleição de Dilma. Mas ainda hoje são nossas palavras. O pais estará mais vazio, mais a mercê nos próximos quatro anos. Perdemos a possibilidade histórica de desmascarar o  PT, de enviá-lo de volta as classes operarias, as universidades, ao debate democrático e alternância de poder. É um partido esgotado, sem fôlego para renovações e o Brasil perde com esta turma sem inspiração. Não foi escrito por nós mas são nossas palavras a compreensão do momento que vivemos.




Em um artigo magnífico publicado nesta terça no GLOBO, o historiador Marco Antonio Villa faz um breve resumo da trajetória personalista e autoritária de Lula, mostrando como essa característica pode afundar de vez o Partido dos Trabalhadores.

Desde os tempos de sindicalista, Lula demonstrava esse viés narcisista e controlador. Sua enorme vaidade e sua ambição desmedida fizeram com que fosse usando tudo e todos em prol de seu projeto pessoal de poder, nada mais. Nunca soube cultivar outras lideranças. Villa escreve de forma direta:
Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Agora, esses “postes” podem se apagar. Fernando Haddad é um gigantesco fracasso na Prefeitura de São Paulo, amargurando uma das piores taxas de aprovação da história. Faz uma gestão que para ser apenas medíocre teria de melhorar muito. Um “intelectual” incapaz de administrar um condomínio, mas responsável pela cidade mais importante do país. O resultado está aí, com trapalhada atrás de trapalhada.

Alexandre Padilha não consegue decolar como candidato ao governo em parte como efeito dessa desgraça na gestão de Haddad. Nem o populista programa Mais Médicos ajudou a empurrar sua candidatura, que não sai do lugar e deverá ficar com menos de 10% dos votos dos paulistas.
No Rio, Lula bancou pessoalmente a candidatura de Lindbergh Farias, mesmo passando por cima dos interesses partidários. Foi o que levou uma ala importante do PMDB a fechar com Aécio Neves, criando a chapa “Aezão”. Mas o “poste”, mesmo com sua cara de pau pintada, está abaixo de 10% nas intenções de voto também. Outro que é mais pesado do que um hipopótamo, incapaz de alçar voos mais altos.

E o maior “poste” de Lula, claro, é Dilma Rousseff, a primeira “presidenta” do país, levada ao Planalto pelos braços de um homem, mas ainda assim celebrada pelas feministas bobocas de plantão. Sua gestão é mais que sofrível: é caótica! O país entrou em recessão, a inflação retornou com força, os investimentos pararam, a indústria desabou e o clima é de total desesperança.

Diante de retumbante fracasso, o que faz Lula? Afasta-se estrategicamente de sua criatura, como se não tivesse nada a ver com isso. Não vamos esquecer que Lula disse, na campanha de 2010, que Dilma era ele e ele era Dilma, ambos uma só pessoa. O fracasso de Dilma é seu fracasso, mas o “Oráculo de São Bernardo”, como espeta Villa, não pode errar, e por isso o silêncio covarde agora. Villa conclui:
O PT caminha para a derrota. Mais ainda: caminha para o ocaso. Não conseguirá sobreviver sem estar no aparelho de Estado. Foram 12 anos se locupletando. A derrota petista — e, mais ainda, a derrota de Lula — poderá permitir que o país retome seu rumo. E no futuro os historiadores vão ter muito trabalho para explicar um fato sem paralelo na nossa história: como o Brasil se submeteu durante tantos anos à vontade pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva.

Amém! Como disse o empresário Salim Mattar, da Localiza, em corajosa entrevista recente, “ninguém aguenta mais” o PT, que mais parece um ajuntamento mafioso do que um partido político. Seus membros aceitaram se submeter ao comando absoluto de Lula, o líder carismático, o milionário “homem do povo”, em troca das mamatas garantidas pelo poder. Muitos acreditaram em seus supostos dons incríveis, seu toque de Midas para iluminar postes e garantir a perpetuação nas tetas estatais.
Balela! Escrevi no mesmo jornal um artigo comparando a ascensão política de Lula à econômica de Eike Batista. Ambos foram muito mais levados pela maré chinesa do que qualquer coisa. O fenômeno político Lula tem mais a ver com a política monetária frouxa do Fed, o banco central americano, e com o acelerado crescimento chinês, do que com seus méritos próprios e carisma.

O populista estava na hora certa no lugar certo, com muito dinheiro para comprar apoio. Achou que era um gênio. Não era. Nunca foi. Perdeu três eleições seguidas, duas delas no primeiro turno para FHC, motivo pelo qual jamais perdoou o sociólogo. E agora pode ter jogado a pá de cal definitiva no PT que fundou, ao destruir qualquer liderança alternativa e concentrar todas as fichas em seus “postes”, cada vez mais apagados.

Espero ansiosamente pela oportunidade de escrever o obituário dessa praga chamada PT que tanto mal espalhou pelo Brasil…
Rodrigo Constantino

sexta-feira, 5 de setembro de 2014



Posted: 24 Aug 2014 05:41 AM PDT  -  REVISTA RAÇA BRASIL


                           

O debate sobre a questão do elevado número de homicídios, especialmente entre jovens negros no Brasil não pode mais ser adiado. É inadmissível que tortura e execuções sumárias continuem sendo parte das políticas de segurança legitimadas por grande parte dos governos estaduais, muitas vezes com a leniência do governo federal, seja no executivo, legislativo ou judiciário.


Dados alarmantes
A ideia de que somos um povo pacato e calmo tem ocultado dados que contradizem de maneira determinante esse tipo de afirmação. De acordo com o ‘Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil’, publicado recentemente pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde mostram que entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%.  A violência policial foi mote nas manifestações em todo o país
                  
Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%. Do total de 46.920 mortes, na faixa etária de 14 a 25 anos, em 2011, 63,4% tiveram causas violentas (acidentes de trânsito, homicídio ou suicídio). Na década de 1980, o percentual era 30,2%. Entre 1979 a 2009, o SIM estima que tenha havido cerca de um milhão de homicídios no Brasil.Outro dado alarmante: Para cada três homicídios que ocorrem no país, dois são de negros (jovens e adultos). Se tomarmos em consideração somente os jovens, a probabilidade de um jovem negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. 

A partir de 2002, com diferenças entre as Unidades Federativas do Brasil, a tendência apresentada é de que há queda no número absoluto de homicídios na população branca e um aumento na população negra, segundo o Mapa da Violência. Em 2002, a vitimização de jovens negros era de 71,7%. Em 2010 o índice atingiu 153,9% (ou seja, morrem, proporcionalmente, 153,9% mais jovens negros do que jovens brancos).


A população negra continua sendo o alvo preferencial da violência do Estado
A Marcha em Brasília, percorreu da Praça Zumbi dos Palmares até o Museu da República.
    
Os dados apresentados acima sugerem uma grave situação. Se levarmos em conta números absolutos, os homicídios contra jovens negros no Brasil poderiam ser considerados uma questão humanitária. Vivemos um genocídio silencioso, uma guerra racista contra pobres em um país que teima em afirmar que não existe racismo. Claramente isso não condiz com os números e as pesquisas, de maneira geral, no campo da sociológica da violência. Precisamos nos perguntar se não estamos, na prática, vivenciando uma guerra civil não declarada, um genocídio racial velado. Para além do homicídios, esse sistema perverso e seletivo de controle social tem se expressado também nos altíssimos índices de encarceramento da população negra no país, que não para de crescer, mesmo quando os crimes cometidos sugerem que um número importante deles não deveria estar em regime de prisão fechado.   Mais de 3 mil pessoas caminharam pela Avenida Paulista em São Paulo durante a
    
O combate à criminalidade não pode ser feito com sucesso sem passarmos por grandes mudanças na estrutura socioeconômica da sociedade. É preciso que deixemos os modelos repressores e punitivos e passemos à construção de políticas mais humanas e inclusivas com urgência. A desmilitarização das polícias se faz nesse contexto, uma das pautas centrais do debate público e das eleições que se aproximam. O genocídio de pobres, negros e índios no Brasil tem que parar.
Com o slogan “Reaja ou será morto (a)”, a marcha aconteceu simultaneamente em 19 estados brasileiros e em 15 países, durante todo o dia 22 de Agosto.   Assumindo a tarefa de lutar, resistir e construir um projeto político do ponto de vista do povo negro, sob o tema “a luta transnacional contra o racismo, a diáspora negra contra o genocídio”. Em Belo Horizonte, centenas de pessoa foram às ruas em combate à mortalidade da juventude negra
  
“Sem o fim do racismo a sociedade brasileira não vai ser emancipada”, afirma Katiara, do coletivo Quilombagem, que também abordou a questão da implementação de política públicas de saúde da população negra, outra segurança pública que não tenha práticas da ditadura e o direito de existir com dignidade: “a gente quer trabalhar o mito da democracia racial que foi o principal motivo do surgimento do movimento negro no Brasil, para denunciar que nesse país não existe democracia racial”.